domingo, 1 de fevereiro de 2015

Gatázio cortante de ternas mãos

Foto por: Autor Desconhecido. 


Frias exatas que oprime a precisão do ato
Intrépidas vendas poeirentas em corpo límpido
A carne pulsa em mecanismo de assalto
Que a renúncia peia num manto frígido

Caminho sob as cores de uma mente fértil
Enquanto o anseio avulta o desejo do trago
Sempre haverá uma apetência do lado erétil
Sobre a doce matéria da caligem do afago

Inconteste edaz ser que sucumbe à frase
Austero abjeto esgar ao esmo da vida
Nos planos insanos da aprazível face
Enquanto pele macia em rosto pálido fascina.

Pede forte sem pensar
Um pedido feito o meu
Já nascido de um acaso
Que esvaiu-se com o seu

Doces dedos entre anseios
De um intervalo que maltrata

Esganice entre os seios
Aquela boca que não fala.

Imácula entorpecente da catarse do sábio
Deixa coração pulsar na ponta dos dedos
Engole e molha com saliva o hirto falo
Que afronta sem medo os vis anseios.


Ass: Fabrício Pazelli.
29/01/2015

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A ausência infame da prece pecadora



Foto por: Fabrício Pazelli.















Esvai-se no ar como castas poeiras de açoites noturnos
Permeia no presente o odor atroante do passado
Nada sobra dos olhos embeiçados com sussurros
E hoje caminha lento o tempo que antes corria descalço

Conto viver em sonho numa bolha de utopia verídica
Sua perenidade escassa, ruina-se com o fim da noite.
A concupiscência de uma carne podre, porém lúdica.
A despeito de uma tortura privação do gozo da foice

Os olhos esgazeados da continência viril e infante
Habitava a criança no fundo de uma sólida dama
Uma hostil crítica afastava a face da bela e estafante
Induzida ilação de um prévio conceito com drama

Despeço-me com o banzar de minhas secas lágrimas
Com a certeza que vivida flama foi de ode folgaz
Ao eviterno átimo em chamas livre da anátema
Que sobrevivo à transgressão de um coito sagaz.

Ass: Fabrício Pazelli.

13/01/2015

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Lugar vazio anexo a lugar nenhum

Foto por: Autor desconhecido.














Passos tortos numa noite sem estrelas
Ávidos pela face do silêncio ensurdecedor
Uma frase sem letras entre corpos permeia
Apenas a briga da fúria de um mar sem cor

O mundo se cala numa ode ao infinito
Uma inação alienada pela inexistência
Um rebojo de gritos vira apenas mito
E olhos que bradam, captam a essência.

Um teto sem ar, a sucumbir com a magia.
Dedos em nervos a pregar sua verdade
Carne deformada em mácula de euforia
Assusta ao vazio calado com liberdade

Maltrata doce tempo que se esvai
Intimida frívola distancia ao acaso
Lamenta sorriso perene que se vai
Assim o tempo para sem aplauso

Lá em lugar nenhum nada te proíbe
O ciclo do encanto jamais irá morrer
Ainda vive o vazio que a inibe
O casulo eterno corpulento de prazer.

Mesmo que relute... O inexplicável vive!
Mesmo que muda... O tempo insiste!
Mesmo que negue... O acaso existe!
Mesmo que não dure... A escolha é livre!

Ass: Fabrício Pazelli.
14/10/14



A voluptuosa serpente libertina

Foto por: Autor desconhecido











E sem pedir ela invadiu o silêncio de uma solidão
Com sua carne cheia de lascívia e sensualidade
O tormento ainda trazia uma parcela de emoção
Embutida na íris da proserpine que a invade

E sua sina já percorre o claustro do meu olhar
Vendo flageladas mãos patear ao meu corpo
E assim, sem perceber a espinha fica sem ar.
Numa ode sem rima e nem molde para o escopo.

Serpente que parece sufocar com os olhos
Sua dor é a mesma que fez o anjo sucumbir
Não há elucidação que queime com ossos
Nem desamor que prospere pra sorrir

Sua face fulgura numa velha razão já finda
E apenas sobrevive a inexistência da veracidade
Sem ar uma explosão cósmica é extinta
Contra desejos, de costas para a realidade.

Não respira... Por favor! Não pensa, não cogita...
Volúpia libertina, serpente santa!
Não hesita... Por Favor! Não isenta, não priva...
Volúpia infernal, a serpente que encanta!

Ass: Fabrício Pazelli
30/06/2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Aprisionado no claustro antológico da mente gélida

Foto por: Autor desconhecido.


O caminhar esfola num solado apático
Vidros permeiam numa frígida ideia
Os acasos viram casos num anseio estático
A dor aparece no sorriso da matéria

O que você vê? ...Sua angústia é meu prazer...

Corpos voam numa lipotimia de desejo
A vida sai pela fechadura sem dizer adeus
O amor te olha com vibração e medo
Em prantos pelo tempo que viveu

O que você vê? ...Sua lágrima é meu poder...

Os lados pareciam tão preenchidos
Pareciam brilhar todos os dias sem economia
O sorriso parecia estar tão vivo
E sem perceber sobrou apenas a nostalgia

O que você vê? ...Sua dor me faz viver...

Olhei sem querer para traz e vi seu rosto
Era tão ameno, brando, sereno... Sem veneno
Voltei a olhar pra frente com desgosto
Foi tão doloroso, aflitivo, cruciante... Tempo

O que você vê? ...Sua derrota é meu poder...
O que sobrou do que você vê? ...Um fim, uma lágrima, um triste amanhecer!

Ass: Fabrício Pazelli.
10/06/2014




quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Veredas empoeiradas do senhor das pedras

Foto por: Fabrício Pazelli.
















Que intrépida sabedoria de homens puros
Suas verdades são apenas utópicos acalantos
Nadando com patas por olhos imundos
Por entre navalhas e sangrentos planos

Meu azorrague é meu enfermo psicótico
E todas as dores do mundo gritam alto
Onde seu medo é açoitado pelo estereótipo
De uma face trêmula em um parto por assalto

O homem teme e treme no tormento do ar
Não existirá letal solução pra esta humanidade
Num sussurro intrépido a soluçar por engasgar
Enquanto lágrimas escorrem em busca da verdade

Imponha austeridade numa incerteza cruel
A saída deste labirinto é fugir da prisão
Mesmo que este mundo seja feito de papel
Suas mãos irão enforcar uma suposta razão

Obrigados a sorrir e chorar diante do espelho
E assim, nada foi reservado para você.
Moroso é descobrir que a sobra é o desespero
E assim, sem alternativas padecendo, você aloja em cada amanhecer...
...a angústia de não poder...

A debilidade de respirar não é eterna
Suas veias pulsam num ritmo insofrido
A verdade do almejar não é externa
Ela se aloja num autônomo esculpido.

19/12/2013


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Até onde? - Em vida proscrita!

Foto por: Fabrício Pazelli.



















Do que são feitos os sonhos?
De gestos e afetos num deserto,
Assim desfaleço-me em prantos
Sem resposta em caso incerto

Questiono, sobrevivo...
Porém, apático!
Abandono, incentivo...
Enfim, dramático!

Curvas intrépidas em famintos casulos
Nossa dor, castigo da vida... Interrogação!
Fétidas faces apagadas em submundos
Sina viva do pulmão do jardim em erupção

Respiro, em ato
Suspiro, afago
Desejo, tato
Anseio, um trago

Olhos fechados, mente vazia
Linda teoria repleta de amor
De dedos cortados, vil agonia
E assim falece o mundo em cor

Assopro,
Inovo...

Argumento,
Isento...

De mãos cortadas e bem construídas
Tal pele macia, reluz envolvente
Ofusca no escuro os saudosistas
Sobre negra luz da criança doente

Doer sem gritar,
Implodindo emoção...
Feito pra castigar,
A razão em erupção.

Moer...
Ossos já quebrados,
Porém atados, colados e emendados.

Sofrer...
De não ter esplendor,
Constante fulgor, errático sabor.

Até onde? - Em vida proscrita!
Sobre mim agoniza e vomita
Sua boca seduz com magia
Sátiros gestos de nostalgia

Até onde?

Empala meu corpo,
Envolve-me alma...
Degusta sem gosto,
Traduz-me farsa...

Em vida proscrita,
Irrita heresia.
Cega nascia,
Sem odor... Falecia...

25/10/2013