terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Corpo flamejante

Foto por: Autor Desconhecido.











Escondia compaixão humana em frígido semblante
Aos gritos sucumbia seu único bem com dor intensa
Era chegada a hora de sua partida em ato frio e infame
Assim esguichava em árduo murmúrio sua egoísta doença

Olhos nada fazem, sufocam curiosidade em ato inerte.
Sua força era contida no berro desesperado do arrependimento
E assim flagelado, ímpio humano descartável sem mestre.
Chegava ao fim longa jornada em busca do contentamento

Sonho derrotado, objetivo jamais traçado, sua ira vence.
Nefasto sentimento fulminante, enfim, sem amor cumpria.
Sua alma foi entregue onde agora lamentos cobrem a mente.

Imperava sob o cosmo mental dos olheiros egoístas, um sentimento.
Rosto em lágrimas escondidas onde o corpo flamejante ardia
Era chegada a hora da sina em ímpias cinzas de um frio lamento.

26/09/2012






quarta-feira, 25 de julho de 2012

Destino flagelado


Foto por: Fabrício Pazelli.
















Adoraria em trâmite ao simplório acaso
Buscar fantoches jogados ao descaso
Maltrapilho andante na prematura ocasião
Afanando belos gestos em fétido coração

Ao vento em neblina sufocante demagogo
Sobre preces expostas em sádico esgoto
Jamais traria o frio em densidade analógica
Onde os campos fatigam em menção alegórica

Leva o mentor da noite em lúgubre nostalgia
Implora vida no ouvido da triste identidade
Hoje afoga na verdade a beleza do utópico dia

Assim respira a doença em tragédia do homem
Lave o tempo por trazer afago em ímpia maldade
Enfim, no flagelo onde os fracos se escondem.

12/07/2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O sentido de ruim


Foto por: Fabrício Pazelli.





















Sabe o que é ruim?
Imaginaria vozes afagantes em colo seco
Não traria amor, nem sorriso devotado.
Difícil é tentar entender o que sai com esterco
Ouviria uma desculpa de um gosto afastado

Sabe o que é ruim?
Tenho dor, machuca meu peito em corte.
Sei de fatos manchados pelo erro inconsolado
Em sono alimentando o ódio na sorte
Sentimento puro atroz em seio machucado

Sabe o que é ruim?
Quer gritos, ou sussurros destilados na memória?
Saberia talvez algoz nestes atos não pensados
Infligir doutrinas e posturas fincadas como escória
Deixar morrer em trôpego olhar os descasos

Sabe o que é ruim?
Ter postura, paixão, onde alimenta o rancor.
Também não abala, não importa em vista chorosa.
Introspectivo semblante demasiado comtemplou
Fatiga imposta deixada carne em dor simplória

Sabe o que é ruim?
Não saber o que ruim te é, em pensamentos vagos.
Ouvir supostas frases no psicológico sádico
Não saber de onde vem, pra onde vão os afagos.
Em prantos, se perguntando ao grande sábio.

Sabe o que não é ruim?
Ter você em você, por planos alinhados na meta.
Já pensou, rachou, desmantelou mente doente
É ter vida, vivida em frases prontas sem uma reta.
O efeito envenenado desintegrando-se na mente.

A mudança foi um acaso
Das preces atendidas do descaso
Foi, passou em memória.
Honraram-se os tempos de glória

A sede traz a força
O desejo vai à forca
A mentira seduzia
Uma mente a abolia.

Sabe o que é ruim?
Talvez nunca saiba!
A proporção do meu descaso é fruto da minha insistência
Tentaria mudar o rumo se bem fácil fosse assim decidir por mim
O que impera na sábia emoção prolongada pela falta de razão
Salga boca faminta destruída diante de uma óbvia saída

O caminho talvez mude,
Já tracei o tempo em ferro
Só tenho medo que enferruje
O que plantei com tanto esmero!

Espero que escute ao saber em silêncio...
Assim em despedida descarto a dor em mim
Não quero flagelar a cor do tempo
Talvez descubra o sentido do que é ruim.


19/07/2012

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Lasciva tentativa


Foto por: Fabrício Pazelli.





















Pensar talvez não fosse um ato ardente
Que enforca, sufoca o deixa demente.
Esperar passar em demasia irritante
Dor que não cessa a cética infame

Vejo olhos, braços, abraços em fogo.
Um descaso, faminto em ardente poço.
Mesmo chorando na arte de se humilhar
Havia um desdenho egoísta, solto no ar.

Sua trepida, trôpega frase direta em ferida.
Na discórdia orgulhosa deixando arder
Na tentativa da prece falha em vil partida

Ali dormia, onde ao lado um corpo sofria.
Mesmo em chamas, ignorava sem saber.
Latente ira que lasciva sucumbia em magia.

09/07/2012

domingo, 27 de maio de 2012

Imutável


Foto: Fabrício Pazelli.




















Se a semente faz parte do ciclo
Meu corpo envelhece no amadurecimento
Sempre há uma meta pra continuar
Evoluir no tempo e estagnar

Descontrole o mutante
Maltrate a plebe do vírus
Esconda-se na lareira
Mas não escute os segredos
Amaldiçoados, destrutivos
O carcereiro se enforca

Se a raiz planta a epidemia
Minhas mãos alimentam o inimigo
Sempre haverá uma alternativa
Aceitar tudo e calar-se maldito

Haverá um dia comum
Um que mostre verdades
Que desaponte no inicio
Abençoe as classes
Na mudança fétida
Mentirosa e fraca

Se o corpo levanta o projeto
Minhas pernas sucumbem
Queria que houvesse outrem
Onde criar fosse evolução

Uma conquista falha
Uma benção maldita
Sempre serei cego
Minha alma almeja fogo
Sei que não haverá ida
Assim como a derrota

Se meus cabelos crescem sem parar
Meu espelho me sorri ao amanhecer
Serei forte aos olhos da serpente
Construirei um império de mentiras
Um fim me fascina
Uma farsa me seduz
Queria poder te acompanhar
Onde o destino reluz
Mas finquei meus pés no tempo
E nele morrerei com o mesmo desdenho!

16-09-09

Carta a um mendigo

Foto: Iuri Nogueira



















Desperta amigo moribundo!
Desperta deste sono inebriante
Desperta,pois a perola cintilante
Surge distinta no lodo imundo

Abutre!Alimenta tua desgraça
De vossas entranhas o verme anseia
Nutre este ser,quebra a mordaça
Forte é o brado que a poesia semeia

Foge dos devotos paladinos
Foge do carrasco iracundo
De tua garganta,entoe negros hinos
Desperta amigo moribundo!

Obs: Esta poesia é de um grande amigo e poeta: Marcelo Almeida!!!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Psicopata obsessão


Foto: Fabrício Pazelli.
















No canto das paredes empoeiradas de possessão
Escondem-se desejos proibidos manchados de dor
Quando as vigas do tempo derrubar a obsessão
Levantarás sobre pedras a inconveniência de uma flor

Despeito vagabundo, injusto e inabalável.
Provocas tua ira para jamais não mais morrer
Vomita asneira como um imundo descartável
Desponta da teia frases prontas para um dia vencer

Fruto sagrado de um nível passado e imortal
Mancha de sangue o manto puro da virgem sedutora
Ataca pelas costas como um covarde animal
Suga sem piedade o sofrimento de sua carne amadora

Enfadonho suporte de mentiras vagas pela lealdade
Faminto prazer pelo oposto da amizade de plumas
Carrega como a forte tempestade do sul, verdades.
No olhar sedento por querer, move areias de dunas.

Deixa o vento carregar suas atitudes sinceras
Fascina a oposição com seu veneno cheio de tesão
Rouba uma farpa de teu ventre latente que me espera
E deixa a nostalgia interdita vagar sobre a maldição

Suas palavras são alienadas como um suicida
São frágeis como uma boneca de porcelana sem mãos
Não entende as respostas da psicopata vida
E nem supre necessidades de uma louca obsessão.


02-01-2010

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Desfalecimento


Foto: Fabrício Pazelli.
















Descoberto, destroçado, molambento.
Gritante, macabro, malicioso.
Desapareça fatiga maltrapilha
Com vestes podres ao relento

Nos aposentos perplexos da agonia
Caminhos criados pelo caos do front
Imaculados cheios de esperança fria
Doutrinados por riqueza, por nome.

Desfalecimento dos dedos sujos
Desfalecimento das grandes idéias
Desfalecimento de erros pútridos
Desfalecimento da vitória, da derrota, da guerra.

Marginais hediondos expulsos da terra
Estupradores psicopatas pisoteados
Coprófagos estimulados pelo esmero
Espavoridos pelo próprio veneno

Religioso entupido de doutrinas mortas
Glorifique o imundo herege céptico
Engula do mundo uma pitada de escolta
E esmague a infame fé infante de seu ilusório presépio.

21/10/09

terça-feira, 15 de maio de 2012

Verniz descascado


Foto: Fabrício Pazelli.




















Acaso, velho morto insensível.
Ódio vasto, certo e convulsivo.
Parto errado, fétido despido.
Por velho morto manto desprezível.

Vir, assim me ver sorrir sem sentir.
No plano manso descartável morto.
Descaso sóbrio apenas verniz.
Descascado, maltratado e fosco.

Sem cansar, por falhar errante e vil.
No canto recauchutado sensível.
Esmague mate filhos do Brasil.

Descanse, amanhã não falharei.
Sem falhar, sem chorar, inconfundível.
Em ter-me só no vazio que criei.

12-09-07


Obs: Este poema é um soneto Decassílabo.

Desprezo


Foto: Fabrício Pazelli.
















Nasci de uma nação desumana
De um amor morto, jogado ao léu.
Gerado por um estupro frio
Onde se ouviam gemidos

Não há tentativas na falha
Você definha sem pensar
Sinto o tempo sufocar meu corpo
Meus pensamentos me matarem
É disso que me sustento

Vida pra quem vive
Morte pra quem sofre
Não vejo sua face suja
Nem espero respostas suas
Despenco do alto sem ar

Ontem ouvi minha voz
Hoje vejo minha derrota
Amanha estarei vivo
Rindo do meu ato atroz

O meu consolo é pura ilusão
Minhas mãos doem
Meu cérebro frita numa caixa
E pra finalizar meu coração morre

É assim que respiro
Morrendo, desfalecendo...
Vejo um futuro morto
Uma cena batida no colo do mundo...
Apodrecendo...
O fim estar vivo pra quem vive!

16-09-09

Seios latejantes


Foto: Autor Desconhecido.




















Onde meus seios latejam
Meu ouvido se dilata
Pobre horror em meus anseios
Que de longe logo se afaga
Não deixastes ó crua dor
Sucumbir meu exército morto
Sobre o sentimento do amor
Que aos poucos ficam loucos
Sabes do teu mal bendito ego
Onde tuas palavras se apertam
Cadê ó cruel maldoso feto,
Os seus vermes que te infectam?
Pulou da quarta soma errada
O quarto império do poder
Dos falsos sonhos pela espada
Que os impedem de crescer
Nada fazem por teus olhos flamejantes
Infiltrados de ódio
Vulcanizado sobre teus propósitos
Para julgar quem se finca no empório
Onde meus seios latejam
Vibra uma voz mal feita
Fina, lisa, louca e tosca.
Paraplégica sobre o ar
Esquecendo loucamente de quem se pode flutuar.

01-02-07

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Sono sagaz

Foto: Fabrício Pazelli.














Olhos entreabertos em busca da ambidestria
Sentimentos frívolos e castos, mas cálidos.
Entre mãos ímpias que de falhas sofre em demasia
Em que de crápulas latentes forjam-se por pálidos

A demasia inflamável das vestes transparentes
Amargurada flor cheia de delírios sangrentos
Como de atonia meu peito grita sobre vil mente
Imaculado sobre o rio Estige sem lamentos

De onde emplaca mendigo sonhador entre plebeus
Esfaqueia a utopia num toque mortal e amargo
Esfomeando a impotente razão das regras de um deus
Onde fraco e inoperante cospe asneiras de um fardo

O teu corpo corta o meu, cujo sangue corre fome.
Já me pergunto sobre os seios castigados de maldade
Será de caos que pernas dolentes derrota a infame
Desse lume que eterniza a ida em chamas à imortalidade

Sagaz menina que assombra outros olhos chorosos
Aos toques odientos sadomasoquistas e bravios
Sempre aos poucos adormecendo a atos simplórios
Caminhando no fim sobre a fuga de sombrios.

20-04-10 

Despejo do convite à conquista


Foto: Paloma Simplício.



















Tenho um mundo a meu favor
Grandes conquistas a alcançar
Tenho a vida que me abraçou
Grandes sonhos a conquistar
Tenho planos que tracei
Metas e objetivos  pra lutar
Uma briga que comprei
Para o mundo se ajoelhar
A minha fome é infinita
Meu refúgio é o inferno
Minha derrota esta extinta
A espera de um império
De costas ao passado me orgulho
De frente ao presente me planejo
Grandes realizações, meu futuro
Faminto de frente ao espelho

De solidão o homem morre
Enclausurado e sozinho
Sem teu sabor meu corpo sofre
Amargurado sem caminhos
De seus beijos tiro um gosto
Aquele gosto sufocante
Entre dedos e sabores
Sussurrados e provocantes
Sem teu suor meu corpo treme
Já sinto falta de teu cheiro
Saudade quente de teu ventre
Entrelaçado entre desejos
A resposta do que sinto
Está em seus olhos em teu peito
Olhe no espelho, é a imagem do que vejo
É deste rosto que preciso
Deste corpo em noites frias
É de voce que necessito
Para o resto de meus dias.

A conquista sem você não tem sentido
Tenho uma proposta a te mostrar
Como será o rosto de nossos filhos?
Tá curiosa? Só nos resta tentar.
O mundo pertençe a nós
Vamos brindar e fazer arte
Amar sem limites, infestando tudo de suor
E sua presença me completa neste mundo que me invade.

Te amar me faz saber que a vida tem um grande sentido!
Te amo de todas as formas e jeitos!!!

28-10-2010


Obs: Te amo meu amor. Essa é apenas uma homenagem aos nossos 7 anos de namoro!

domingo, 13 de maio de 2012

A luta sem resposta


Foto: Fabrício Pazelli.

















Por muito tempo adormeci no berço imundo
Onde entrei em prantos e perdi o sentido da vida
Remei um barco sem ponto de chegada nem mapa
Estive vagando pela tua trajetória
Um rumo sem futuro,
Sem fósseis para contar história
Não sinto o teu abraço,
Não sinto mais o teu beijo,
Tuas palavras de amor.
Seu perdão sujo caiu de cabeça no abismo
Agora vaga solta como um cadáver sem rumo
Não existe vida em tua alma
Não mais exibe beleza em teu corpo
Deteriora-se cada vez mais
A formosura de teu troféu
Agora dorme em um vômito
Sem vida, sem família, sem filhos...
Sem forças, sem refúgio tua morte se aproxima.
Estarei aqui amor, estarei para rir de tua desgraça.
Tua vida não existe mais
Teu abraço apenas uma lembrança
Não sobra mais do teu beijo
Aquele amor de criança
Morre contigo o prazer de viver
E o pouco lhe sobrou de esperança
Estarei para deliciar-me em teus prantos
Em seus olhares padecidos
Vibrarei no dia frio, no tempo ameno.
Será no teu enterro, no fim da tua luta, em derrota.
Onde anos de perseverança
Tornar-se-ão parte apenas de uma lembrança.

04-01-07

Ressurreição limitada


Foto: Fabrício Pazelli.




















Destes olhos negros
Que expelem fraqueza
Destas ruas sujas
Que de fel te abraça

Será a maldição da melancolia
O prazer da escuridão
Manchará de sangue a agonia
A vertigem da boa sensação

Levantas lento sem chorar
Tua face se fecha ao amanhecer
A síncope dos sentimentos
A destruição imperceptível
A hora da vingança chegou...

Uma tortura sangrenta mental
Esmaga a paisagem que as mãos criaram
Sobre a pele rosada e fatal
Emancipa-se o desejo de revolta

Destes passos mal dados
Destes anseios intencionados
Afoga em minha alma uma sensação impura
Uma mágoa sufocada pelo corpo, pelo passado.

Sei da luta de quem não luta
Do prazer de que quem nada sente
Dos objetivos de quem nada oitiva
Das frases do escritor que não escreve

Sei do amor de quem não ama
Sei do ódio de quem não odeia
Da vingança de quem não se vinga
Da volta de quem não volta
Da ressurreição limitada...

Morrerei na verdade que não contei
No carinho que não dei
Nas guerras que venci
Nas locuções que me perdi e nada fiz

Serei sempre a solução e a perda
O ouvinte e o molestador de idéias
A facção das sobras de uma mesa
O suspiro a falsidade das misérias

Não sinto dor, amor, compaixão ódio.
Só sinto esvair o vazio, vazio.
Desprovido de Sentidos, de escória.

Nas pedras rachadas do mundo
Escrevo minhas verdades,
As entrelinhas meu refúgio
O primeiro passo pra eternidade.

Sei da morte de quem não morre
Sei da vida de quem não vive
Da saída sem chegada
Da ressurreição limitada.

06-11-09

Vaso seco


Foto: Autor Desconhecido.


Caro vaso seco rachado
Transborda-te pelas bocas áridas
Do buraco negro
Fezes do teu rancho
Não te quebra
Escuta meus lamentos
Desfaço-me.
Os passos me chamam
A rosa espetou-se
Como o gume em teu pescoço
A verdade me envolve
Seguirei com meus questionamentos
Caro vaso seco fraco
Não provocas a ira,
Pois expande pela tua alma o seu fim
Como água solta no deserto.

21-08-06


Mundo doente


Foto: Fabrício Pazelli.


De frente ao muro vejo vultos
De costas ao mundo sinto frio
Resguardado pelo cheiro da cobiça
Torno-me pedra polida
Descendo do mundo
Com as costas para o muro
Sou golpeado pelo vulto

Descasos amados na escada
No proibido escondido do inimigo
O vapor insinuado maldito
Morto a facadas pelo punho do perigo
Surdo como o dono do mundo
Transformo santo em fardo
Induzindo ao caos impuro
Como o gozo do fracasso

Nas grandes ondas da noite
Lobos uivam pelo cheiro do pecado
O sabor do incesto
O desejo em gozar...
Nos grandes campos de extermínio
Escuto o urro do inocente
Sendo atacado pelo impulso do instinto
Encoberto deserto pelo mundo doente.

24-02-09

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Chamo-me fétido

Foto: Fabrício Pazelli.















Venda-me os olhos da face perdida no amanhecer
Preencha os potes vencidos de sabedoria e morte
Enclausure meu desejo no vazo, ao velho prazer.
Se queixe da razão incomum, dos traços da sorte.

Se apaixone pelo mundo, pelo gago ousado.
Deixe-me nu pelos cantos em prantos rasgados
Surpreenda-me não me mate despido, sem face.
Despreza meu chamado o calor das minhas preces

Arranque com ódio e objetivo de vitória
Desfaça todo erro, e não deixe pra traz a liberdade.
Voar não suspira, não respira, se afoga.
Toda moralidade, que realidade acima da verdade.

Chamo-me fétido, sou o podre de sua alma.
Vamos balançar, vamos destruir e exibir nossa força.
Expelir na falsa reza uma baforada de fumaça
Morta, malcheirosa, vingativa no circulo da forca.

Desça ó falso rei, teu trono estar caindo.
Meu poder, meu único prazer pelos ramos do parto.
No feto prematuro, no medo sem perdão.
Cospe no mundo agora um grande problema, a união...

24-09-07

Solidão, teu nome é mulher!

Foto: Autor Desconhecido.























De um vazo brilhante
Deslumbro teu corpo
De uma tela violenta
Tento tirar seu gosto
Das águas do mar
Realço meus desejos
Trazendo comigo
O utópico sabor de seus beijos
Sobre a lua de um cosmo fatigado
Expulso minhas tristezas
Minha dor, meu afago.
Entre os dedos sujos de pecado
Salivo-me pelo sangue
Pela paixão, pelo acaso.
Roubo o cálice proibido
Aquele que esconde meus refúgios
Desfaleço-me no altar, no lixo.
Nas palavras carregadas de decepções, sem escrúpulos.
Onde minhas revoltas são cuspidas
Vive o rancor de uma rapariga
Sou feito de dores, de acasos.
Uma parcela de culpa da vida
Na tempestade dos sentimentos
Debruço-me sobre a dor, sobre o vento.
Procuro um insulto a minhas doutrinas
Uma doença, uma chacina, epidemia.
Procuro o tempo, o desejo a nostalgia.
Procuro a solução, a derrota...
Solidão, teu nome é mulher.

10-03-03

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Fracasso


Foto: Autor Desconhecido.

Sem tantos lábios vestidos
Por entre vastos casos mortos
Enxugo meus sermões na vitrine
Com a estampa de mármore preta

Onde os passos vis do cego perambularam
Meu talento se espalhou pelos cantos
Condensou toda a grandeza
E manipulou toda existência

As poesias se tornam gélidas
Os acasos cada dia mais acasos
Minha decepção é falha
E meu desejo é de cristal

Queria poder dizer que o caos se foi
Poder lamentar a perda do inimigo
Desfrutar a vitória da despedida
Mas da ordem eu nasci...
Condenado a respirar o fim!

04-07-09

domingo, 6 de maio de 2012

Maldita prece

Foto por: Fabrício Pazelli.

No escuro escuto vozes
Engarrafadas pelas mãos sujas
Manipuladas pelo caos
De estar perdido no tempo

No escuro entrego a formula
Escrita num papel preto
Papel aquele que mostra a verdade
Perdida nos olhos cegos

De que adianta estar sóbrio?
De que adianta estar rezando?
De que adianta estar se rebaixando?
Se os olhos não podem ver a verdade?

Não basta matar o pecado
Não basta eliminar a maldição
Viver não é para todos
Morrer sim...

Noites escuras mataram minha fé
Noites nuas me encheram de tesão
Essa é a única verdade
A de gozar no mundo manipulado

Nas vielas, corpos se esvaem.
Nas ruas o lixo vira comida
A praça vira cama
E o motorista uma vítima

Desejar algo não requer ter força
Matar alguém não mostra coragem
Cuspir no chão, não o deixa mais homem.
Não acreditar o faz ter certeza

A certeza vem do escuro que se pode ver
Ela aparece no breu da matéria
Tirando a verdade do silêncio na escuridão
Onde a prece não faz sentido, nem o pedido.

O perdão é para fracos
Errar faz parte da ação
Perder não o diminui do vencedor
Transforma-lhe num fracassado

Mas viver é a arte de estar em guerra
Lutas fazem parte da arte de quem luta
Perder a batalha não quer dizer morte
A destruição do fim é que mostra quem dominará

Maldita prece
Amaldiçoadas de mentiras
Corrompida pela hipocrisia
Do verde chamado sucesso

Onde dormimos encontramos o lixo
Deixamos a face esconder-se
E a mentira nos dominar...
Apenas vivemos num mundo onde respiramos utopia!

**-05-09

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Até onde irá?


De tantos escombros sobre minha face
Sinto demolir estruturas inertes
De tanto martelar outras partes
Afago prantos mortos entre fezes

De onde nasce tua ira?
Até onde irá toda maldição?
Sou sufocado pelo tempo de fibra
Enforcado por um suspiro de precisão

Não sei até onde, nem ate quando.
As partes debruçam sobres vermes
Vomitam asneiras no espanto
Infundadas de ilusão e preces

Até irá nascer o fim em derrota
Nos olhos negros por amor
Até onde irá esse destino sem glória?
Amordaçado pelo peso, pelos cantos, pela dor?

Até onde irá, até onde?
Perco-me no vazio...
Onde a resposta se esconde.

05-10-10

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Anjo caído


No fundo, lá no canto de seus pensamentos.
Outra alma, outro culto, novo lamento.
Cresce nojento animal voraz imundo grudento.
Sobre as faces calafetadas de belos momentos

No escuro, onde afoga teus simplórios desejos.
Nasce uma força dominadora do mais puro poder
Manchada, pisoteada, entupida de defeitos.
Cospe nu, afadigado pelo excesso de não ter.

Expele do ventre teu verme putrefado de ganância
Pisoteia as idéias manchadas de reinado, de vingança.
Chuta o ceifador ao descaso incontestável de guerra
Manipulam seus fantoches como marionetes na terra

Supre ao cosmo uma verdade escapelada pelo tempo
Machuca as crianças frágeis chorosas por arrufo
Levanta sobre stukas doutrinas de uma psicopata lei
Encardi as mãos de atrocidades encobertas de sustos

Ergue-se um império sobre as faces da criação falha
Sucumbi de mentiras, ganâncias e realidade mórbida.
Sobre as lutas de mentes dominadas pelo enfermo
Levando a plebe do universo ao eterno declínio em massa

Será proclamada em todos os corações a marcha do caos
O mundo acredita nas fezes eliminadas do bastardo
Sofre por não elitizar a própria ambição do mal
A que te proíbe de fadadas extravagâncias exorbitantes

A guerra da mente e da fé
Da razão e regra
Do amor e desejo
Da fraqueza da matéria
A guerra do querer e não poder
Dos interesses e conquistas
Das verdades e mentiras
Da dita maldição imposta

Alvos da louca lucidez nós afundamos
Alvos da crase assassina nós nos rendemos
Frutos da doutrina imposta
De uma verdade que não sabemos
A queda do fruto nos enche a barriga
Alimenta uma voraz sede de vingança
A oposta imposição que nos cria
Sobre o trunfo da infante e prematura esperança.

10-11-2009

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A noite da mentira


Ontem cheguei à noite da mentira
Debrucei-me no colo da madrugada
Onde se ouvia apenas o rugir do tempo
As reclamações do fracasso
Já sentia em meu colo uma dor
A de suportar a cabeça do destino
A perda por aprendizado
A dor de ter e não ter
Sentia martelar em minha cabeça
A frase que dos cantos me atingiam:
“Não fale alto para que você não possa ouvir...”
“Não fale alto para que você não possa ouvir...”
Meus pensamentos vagavam lentamente
Dominavam rapidamente o espaço
Manipulavam com vitória meu mundo
Podia ouvir a porta se abrir
Era o hoje chegando
Para eliminar o sofrimento de ontem
Que tanto massacrou meu dia eterno
Mas trazendo consigo a angustia de amanha
A que atormentará mais uma vez
A noite da mentira
A mágoa escondida no canto da vida.

14-05-09

Entendimento


Não sei se entenderia...
Ossos quebrados ao chão
Leite materno apodrecido
Uma maldição contra princípios

Não sei se entenderia...
Ouvir gritos de dor
Talvez não despreze minha agonia
Despejada ao fundo do poço

Não sei se entenderia...
Ver meu corpo estirado
Gritas no meu ouvido
Sem amor nem piedade

Não sei se entenderia...
Saber que meu ódio é sincero
Que meu desejo é não te ter
Não sei se entenderia... Não sei...

12-05-09

domingo, 8 de abril de 2012

Vazio


Rebaixa Maquiavel onipotente
Faminto entre dedos sujos
Impera sobre corpos pútridos
A sina gélida de uma vil mente

No caos procura respostas
Sempre operante e preciso
Risco a face do mendigo
Excluindo de uma hostil escória

Não sinto e sinto calor
A falta opera e completa
Ondas de frio e pavor
Maltratam e se dispersam

Entoa no ar que me sufoca
A falta do ter que não ter
Desejo de entender o suicida
Amedrontado com medo de viver

Escuto apenas minha respiração
Ofegantes sussurros de proibido
Perdido no vazio da imensidão
Despertando com temor minha libido

O amanhã será longo...
O desejo ainda queima,
A dor ainda clama...
Furacão de rosa e ceia.

O vazio enforca a situação
Nada sinto acordado
Embriago-me de solidão
Entregue a noite machucado

Vazio como o vazio
Não tenho dor

Vazio como o vazio
Engasgo-me com uma flor.

Espinhos


O toque seduz seus anseios
Louca sensação de esporro
O suave aroma de seus seios
Emplaca sobre intensos gozos

Espinhos furam tua sensualidade
Machucam com furor tua inocência
Doce corte não será maldade
Num momento de pura essência

A falta machuca o desejo
Sussurrantes pela dor
Encontrados entre beijos
Onde sedeste por amor

Gritos esganiçados me deixam louco
Ela implora pelo fim e pelo instante
Teu suor corta meu corpo em fogo
Amando entre espinhos cortantes

Já no ato, entre fatos fuzilados
Tento fugir maldita proserpine
Rendo-me aos beijos e abraços
A este gosto em gozo sublime.

Verniz descascado


Acaso, velho morto insensível.
Ódio vasto, certo e convulsivo.
Parto errado, fétido despido.
Por velho morto manto desprezível.

Vir, assim me ver sorrir sem sentir.
No plano manso descartável morto.
Descaso sóbrio apenas verniz.
Descascado, maltratado e fosco.

Sem cansar, por falhar errante e vil
No canto recauchutado sensível.
Esmague mate filhos do Brasil.

Descanse, amanhã não falharei.
Sem falhar, sem chorar, inconfundível.
Em ter-me só no vazio que criei.

Obs: Soneto Decassílabo.

Um dia... (Ao meu efêmero amor)


Um dia,
Em seu ombro deleitei
Um dia,
Em seu corpo dormir
Um dia,
Em seu peito me alimentei
Um dia,
Junto a ti sorri
Um dia,
Fui escravo dos teus braços
Um dia,
Adormeci no berço
No calor do teu abraço
Um dia,
Tive um amor verdadeiro
Um dia,
Tive você de corpo inteiro
Um dia,
Tive teu olhar
Um dia,
Tive um sonho efêmero
Vi você voltando
Um dia,
Há muito tempo
Tive uma mulher
A quem amei.
Um dia
Decai pelos cantos
Pelos prantos que tanto derramei
Um dia,
Adormeci e não te vi cair
Um dia,
Vi-te morrer e nada pude fazer
Um dia,
Tentei amar
Mas já era muito tarde para tentar
Um dia,
Você voltou e esqueceu
De quem um dia tanto te amou
Um dia,
Você tentou mudar
Na derrota
Com lágrimas de dor e revolta
Teus olhos caíram no abismo
Teu coração apertou-se no vazio
Teu corpo desintegrou-se
Como a vida do mendigo
Calada sofra no amanhã
Sem ar dissolva sem amar
Viver já não faz sentido
Amar já se tornou perigo
Amar-te bateu de frente
No acaso definhado
Amar-te desfaleceu
Trôpego pelos caminhos
De espinhos podados
Amar-te morre calado
Finca inerte no passado
Amar-te não vai voltar
Ver tua aura em teu peito
Tentando se afogar
Amar-te que foi um dia
Um dia,
Onde amei teu sorriso
Um dia,
Onde amei teu abraço
Um dia,
Onde amei te ter comigo
No sorriso
Um dia lhe vi mudar
Hoje vejo tua alma e corpo
Aos poucos se apagar
No passado te vi sorrir
E hoje te vejo morta, mas,
Saiba que um dia chorei por ti.